Uma funcionária do Assaí Atacadista, em Piracicaba (SP), teria sido demitida após deixar o posto de trabalho para ir ao banheiro, depois de esperar cerca de uma hora e meia sem receber autorização da chefia. O caso faz parte de uma série de denúncias de irregularidades nas condições de trabalho da rede, que pertence à Sendas Distribuidora S.A.

A empresa foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos, em decisão proferida no dia 28 de outubro. A condenação aponta problemas como restrições ao uso de banheiros, desvios de função, assédio psicológico e descumprimento de jornadas e escalas de folga. A decisão ainda cabe recurso.


O episódio envolvendo a funcionária foi apresentado pelo Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador (Cerest) durante o processo. Segundo o órgão, a trabalhadora aguardou aproximadamente 1h30 pela liberação para deixar o posto. Sem conseguir autorização e já sem condições de continuar esperando, colocou uma placa de sinalização no local e foi ao banheiro. Posteriormente, acabou demitida.


O processo também reúne o relato de outra funcionária que teria urinado nas próprias roupas enquanto trabalhava no caixa, devido à demora para conseguir autorização para utilizar o banheiro.


As denúncias foram reunidas em uma ação civil pública apresentada pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários), em 2025. Na decisão, o juiz Bruno Furtado Silveira destacou a quantidade de trabalhadores que relataram problemas no ambiente profissional.


Entre as irregularidades apontadas estão:

  • *Restrição ao uso de banheiros: pelo menos 24 funcionários relataram dificuldades e longos períodos de espera para utilizar os sanitários.

  • *Desvio de função: cerca de 25 trabalhadores afirmaram que eram obrigados a executar tarefas além das atribuições dos cargos, como reposição de mercadorias, recolhimento de carrinhos e limpeza de gôndolas.

  • *Assédio e violência psicológica: 20 funcionários disseram ter sofrido ou presenciado situações de assédio praticadas por superiores. Outros relatos mencionam humilhações, xingamentos, tratamento desigual e aplicação de penalidades consideradas injustificadas.

  • *Pressão por metas: 29 trabalhadores afirmaram não conseguir cumprir as metas estabelecidas e relataram cobranças acompanhadas de constrangimentos, inclusive diante de clientes.

  • *Jornadas e folgas irregulares: funcionários também denunciaram mudanças frequentes nos horários de trabalho e escalas que não eram respeitadas.


Posicionamento da empresa

Em nota, o Assaí informou que foi notificado sobre a decisão judicial e que iniciou uma apuração interna para esclarecer os acontecimentos e avaliar as medidas necessárias. A empresa também afirmou que está adotando as providências jurídicas cabíveis.


A rede declarou não compactuar com práticas de assédio, abordagens desrespeitosas ou restrições indevidas aos direitos dos funcionários.

Durante o processo, a Sendas Distribuidora negou as irregularidades. Sobre o uso dos banheiros, alegou que existe apenas um controle para organizar a substituição dos trabalhadores durante as pausas. A companhia também contestou as acusações de assédio, desvios de função e imprevisibilidade nas escalas de trabalho.