O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter dito ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não aceita nenhum tipo de ingerência externa em suas eleições. A declaração foi concedida durante entrevista à Rádio Progresso, no município de Juazeiro do Norte, no Ceará.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de interferência norte-americana no pleito eleitoral deste ano, o petista respondeu de forma enfática sobre a postura do país: 'Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Seguinte, nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder. Se tiver, vai perder', declarou Lula.

Soberania popular e relações bilaterais

Mais tarde, durante atividade pública em Juazeiro do Norte, o presidente voltou a mencionar o tema diante de apoiadores. 'Vocês viram que eles estão pensando em trazer ajuda dos EUA. Pode vir o americano que quiser, jamais ele ganhará de um pernambucano e de um cearense. Eles têm que saber que nosso povo é humilde, simples e generoso, mas nós temos vergonha na cara e quem decide o destino desse país é o povo brasileiro. O Brasil só tem um dono e o dono se chama povo brasileiro', discursou.

De acordo com o Palácio do Planalto, o diálogo entre os chefes de Estado ocorreu em tom amistoso e cordial. Durante o telefonema, Trump perguntou sobre as eleições de outubro, e Lula garantiu que a disputa segue de forma segura e confiável. Interlocutores diplomáticos relataram que a abordagem foi casual, sem questionamentos às urnas eletrônicas ou ao sistema eleitoral do Brasil.

Comércio exterior e tarifas

Lula também classificou como infundadas as justificativas norte-americanas para a imposição de tarifas contra mercadorias brasileiras, apontando a busca por novos mercados internacionais.

'Essa taxação do Trump fez com que a relação comercial caísse, mas crescemos em 17 países. Todos os países que visitei cresceu mais de 10%. Se os EUA não quiser comprar da gente, vou ficar chorando, resmungando? Não, vou procurar quem quer comprar', pontuou o presidente, reforçando que mantém uma boa relação institucional com a liderança norte-americana.