A construção de uma agenda nacional para a educação pública no período de 2027 a 2030 reúne gestores, pesquisadores, especialistas e representantes dos poderes Executivo e Legislativo. Entre os participantes está a professora Fátima Gavioli, secretária de Estado da Educação de Goiás desde 2019 e colaboradora consultiva do documento Dois movimentos, uma só agenda, divulgado pelo Todos Pela Educação em abril de 2026.
Durante as discussões, Gavioli defendeu a revisão do calendário escolar e a reabertura do debate sobre a possibilidade de reduzir de 200 para 180 os dias letivos, considerando a aprendizagem e a saúde mental de professores e estudantes. “A realidade dos 200 dias letivos não tem se traduzido em evolução real na aprendizagem. E eu questiono: por que não reabrirmos o debate sobre os 180 dias, priorizando também a saúde mental de professores e alunos? É hora de ousar por quem faz a educação acontecer”, ponderou.A contribuição de Fátima está respaldada em uma trajetória que percorre diferentes etapas da educação pública. Aposentada da rede estadual de Rondônia, foi professora, diretora escolar, delegada de ensino, coordenadora e secretária de Educação. Desde 2019, comanda a pasta em Goiás. A experiência reúne conhecimento técnico, vivência escolar e prática administrativa, da sala de aula à formulação, implementação e avaliação de políticas educacionais.Em março de 2026, esteve entre os cerca de 60 especialistas, gestores e autoridades reunidos pelo Todos Pela Educação, em São Paulo, para discutir um projeto sistêmico para a Educação Básica. O encontro reuniu dirigentes do Ministério da Educação, o presidente do Inep, parlamentares e secretários estaduais e municipais. As contribuições subsidiaram produções técnicas da iniciativa Educação Já, voltada à elaboração de recomendações para a gestão pública.Sua visão parte de um princípio: a escola deve ser um espaço de encontro entre os nossos saberes e os saberes do outro. Por isso, defende que as políticas educacionais considerem a realidade de quem ensina, aprende e administra as redes de ensino. É a perspectiva de quem conhece a escola por dentro e entende que o planejamento precisa dialogar com os desafios cotidianos da comunidade escolar.A participação de Fátima nos debates nacionais também abrange a implementação da Política Nacional do Ensino Médio, o financiamento educacional, a expansão do ensino profissional e tecnológico e a equidade étnico-racial. Em 2025, integrou painel sobre o novo Ensino Médio e, em 2024, apresentou a experiência goiana no seminário Juros por Educação. Também participou de outras articulações do Todos Pela Educação nos anos anteriores.Ao levar sua experiência a esses espaços, Fátima Gavioli agrega ao debate nacional conhecimento técnico e vivência de campo. Sua contribuição reúne a perspectiva de quem passou pela sala de aula, pela gestão escolar e pelo comando de secretarias estaduais, levando às discussões sobre o futuro da educação brasileira a realidade de quem faz a escola pública acontecer.