O maestro Roberto Tibiriçá morreu aos 72 anos, na madrugada deste sábado (3), em São Paulo. O regente estava internado para tratar um câncer que enfrentava havia aproximadamente dois anos. Com mais de quatro décadas de carreira, Tibiriçá deixa uma trajetória marcada pela atuação à frente de importantes orquestras do Brasil e do exterior.


Desde 2022, o maestro ocupava os cargos de regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP). A notícia da morte foi divulgada neste sábado e causou comoção entre profissionais e admiradores da música de concerto.


O velório será realizado no Theatro Municipal de São Paulo e estará aberto ao público. A despedida acontece neste sábado, das 18h às 22h, no Salão Nobre. No domingo (4), a cerimônia continua das 8h às 12h, no palco da Sala de Espetáculos. O sepultamento está previsto para as 13h, no Cemitério São Paulo, na zona oeste da capital.


Uma vida dedicada à música

Nascido em São Paulo, Roberto Tibiriçá começou sua formação musical ainda criança. Aos oito anos, iniciou os estudos de piano e posteriormente teve aulas com nomes como Dinorah de Carvalho, Antonio Bezzan e Gilberto Tinetti.


O maestro também teve contato com a pianista Guiomar Novaes e estudou regência com Eleazar de Carvalho, com quem trabalhou durante 18 anos na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).


Sua carreira internacional ganhou destaque na década de 1980. Entre 1984 e 1985, Tibiriçá atuou como regente assistente do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa.


No Brasil, comandou algumas das principais formações sinfônicas do país. Em 1994, assumiu a direção artística da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e posteriormente tornou-se regente titular. Também esteve à frente das orquestras sinfônicas de Campinas, São Bernardo do Campo e Minas Gerais, além da Petrobras Sinfônica.


Trabalho na formação de jovens músicos

Outro momento importante da carreira ocorreu no Instituto Baccarelli, onde Tibiriçá atuou a partir dos anos 2000. O maestro participou da consolidação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e de projetos voltados à formação musical de jovens.


Ele também fundou, no final dos anos 1980, a Orquestra Nova Filarmonia, em São Paulo, e participou de iniciativas como o Projeto Aquarius.


Em 1997, protagonizou um dos momentos de maior dimensão de sua carreira ao reger a missa campal celebrada pelo papa João Paulo II, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O evento reuniu um público estimado em cerca de 2 milhões de pessoas.


Última apresentação

Na década de 2010, Tibiriçá esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, entre 2010 e 2013. Anos depois, em 2022, assumiu a direção musical e a regência titular da Orquestra Sinfônica do Paraná.


Sua última apresentação aconteceu em 16 de julho deste ano, em Londrina, no Paraná. Na ocasião, ele conduziu a OSP durante uma edição do projeto Guaíra para Todos.


Reconhecimento

Roberto Tibiriçá também ocupou posições de destaque em instituições ligadas à música clássica. Em 2003, passou a ocupar a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música e, desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música.

Durante sua extensa carreira, recebeu importantes reconhecimentos, entre eles o Prêmio Carlos Gomes, o Prêmio APCA e a Ordem do Ipiranga.

Com sua morte, a música de concerto brasileira perde um dos regentes de trajetória mais extensa e reconhecida das últimas décadas.