A Seleção Brasileira começou o novo ciclo visando a Copa do Mundo de 2030 com uma estratégia de renovação que aposta fortemente em jogadores já conhecidos pelas categorias de base. Dos 26 atletas convocados por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Austrália e Índia, 24 já defenderam o Brasil em alguma categoria inferior.

As únicas exceções são Raphinha e Samuel Lino. O restante do grupo possui experiências que vão do Sub-15 ao Sub-23, incluindo jogadores que conquistaram títulos importantes com a camisa brasileira.

A convocação acontece na primeira Data Fifa após a participação decepcionante do Brasil na última Copa do Mundo e representa um dos primeiros movimentos de Ancelotti na construção do elenco para o próximo Mundial.

Integração entre base e Seleção principal

A CBF vem aproximando as comissões técnicas das categorias de base e da equipe principal. Desde o fim da Copa, profissionais das seleções Sub-15, Sub-17 e Sub-20 participam de reuniões com a comissão de Ancelotti.

A ideia é aproveitar o conhecimento acumulado sobre os jogadores que já passaram pelo processo de formação da Seleção e facilitar a transição para o futebol profissional.

Entre os convocados estão nomes experientes, como Marquinhos, Douglas Santos e Bruno Guimarães, que foram campeões olímpicos, além de jogadores mais jovens, como Martinelli e Gabriel Bontempo.

Martinelli chegou a participar de treinamentos com a Seleção Sub-18. Já Bontempo foi chamado para o Sub-20, mas não pôde se apresentar porque o Santos não o liberou.

O volante Andrey, atualmente no Manchester United, é o jogador do grupo com maior histórico nas categorias inferiores. Antes de chegar à equipe principal, ele passou por seis níveis diferentes: Sub-15, Sub-17, Sub-18, Sub-19, Sub-20 e Sub-23.

Trabalho da base ganha espaço no novo ciclo

Branco, tetracampeão mundial e atual coordenador das seleções de base da CBF, participa diretamente desse processo. O ex-lateral está em sua segunda passagem pelo cargo e trabalha desde 2018 na função.

Para ele, a integração entre as categorias é importante para que Ancelotti tenha informações sobre os atletas e possa promover a renovação de maneira gradual.

"Tenho muita confiança no trabalho que buscamos desenvolver com os atletas na base da Seleção. Temos um departamento de observação e análise muito competente. O Ancelotti terá muita informação e opções para promover essa etapa de renovação com tranquilidade", afirmou Branco.

O coordenador também destacou que muitos dos jogadores convocados já possuem experiência em competições internacionais e títulos conquistados pela Seleção.

O Brasil chega a esse novo ciclo com títulos recentes nos Sul-Americanos Sub-17 e Sub-20, sendo bicampeão das duas competições.

CBF quer ampliar mapeamento de talentos

A entidade também pretende aumentar o acompanhamento de jovens jogadores espalhados pelo futebol brasileiro. O trabalho envolve contato mais próximo com clubes e federações e busca identificar atletas que possam futuramente chegar à Seleção principal.

Cícero Souza, gerente de seleções, é um dos responsáveis pela integração desse processo. Rodrigo Caetano, diretor de seleções, também participa da coordenação das ações.

Segundo Caetano, o objetivo é conhecer melhor cada atleta, levando em consideração não apenas o desempenho dentro de campo, mas também características comportamentais e a relação com os clubes.

"Discutimos perfil de atleta, questão comportamental, a forma como vamos nos aproximar dos clubes", explicou.

A intenção é construir um banco de dados cada vez mais amplo, permitindo que a comissão técnica tenha mais opções para observar ao longo do ciclo.

Experiência na base ajuda na chegada ao profissional

Para os jogadores mais jovens, ter passado pelas categorias inferiores também representa uma forma de reduzir o impacto da chegada à Seleção principal.

Jair, campeão do Sul-Americano Sub-20 de 2025 ao lado de Arthur Dias, Breno Bidon e Rayan, destacou que a experiência anterior com a camisa brasileira ajuda a lidar com a pressão.

"É um momento único, um momento muito especial estar aqui na Seleção Brasileira Principal. Passar pela base foi muito importante. Não só jogar, mas também ser campeão", afirmou o jogador.

A atual convocação reforça, portanto, uma estratégia de aproximação entre as diferentes categorias da Seleção Brasileira. Dos 26 chamados por Ancelotti, 24 já passaram pela base, enquanto a CBF trabalha para ampliar o acompanhamento de novos talentos durante o ciclo até 2030.

O Brasil encerra a Data Fifa neste sábado, contra a Índia, às 11h (de Brasília), em Calcutá. Nos dois amistosos contra a Austrália, Ancelotti utilizou 25 jogadores. Para a partida diante dos indianos, o goleiro Pedro Morisco já foi confirmado como titular.