A crise financeira do Goiás Esporte Clube ganhou novos e tensos desdobramentos na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao jornal O Popular, o presidente interino do clube, Munir Calixto Júnior, reconheceu que não existe uma previsão concreta para quitar os salários atrasados de jogadores e funcionários, admitindo as dificuldades para viabilizar um empréstimo de R$ 11,4 milhões que permitiria amenizar as pendências financeiras do Verdão.

O clube acumula atualmente três meses de salários em carteira (CLT) e três meses de direitos de imagem em atraso com os atletas, patamar que completará quatro meses na próxima segunda-feira. A situação financeira também engloba sete premiações por resultados, conhecidas como “bichos”, cada uma no valor de R$ 155 mil, totalizando R$ 1,085 milhão. Os funcionários também sofrem com os impactos da crise, registrando um mês de salário atrasado, período que chegará a dois meses na segunda-feira. Além disso, o balancete divulgado no Portal da Transparência aponta um déficit contábil superior a R$ 21 milhões entre janeiro e setembro de 2026.

Empréstimo travado e protesto do elenco

Segundo Munir Calixto, o Goiás já cumpriu todas as exigências documentais exigidas pela instituição financeira para a contratação do empréstimo, mas o banco ainda não deu uma resposta definitiva sobre a liberação dos recursos. A insatisfação com a falta de pagamentos culminou em uma paralisação das atividades na quinta-feira (5), quando o elenco decidiu não treinar. Os atletas participaram de uma reunião com representantes da torcida organizada Força Jovem e da diretoria, incluindo o candidato à presidência Geraldo Neto, mas o encontro terminou sem uma data definida para a regularização dos valores.

Kioma, presidente da Força Jovem, relatou que os problemas administrativos afetam até mesmo a estrutura básica do centro de treinamento, apontando a escassez de suprimentos alimentares para o atendimento diário aos jogadores. Apesar do cenário de terra arrasada descrito pelos torcedores e da revolta do grupo com promessas não cumpridas, a diretoria afirma dispor de garantias para quitar os débitos até o encerramento do ano, prazo que diverge da urgência cobrada pelo elenco.

Foco dentro de campo na reta final da Série B

Mesmo sob forte pressão e com salários em aberto, o Goiás segue na luta pelo acesso à elite do futebol nacional. Sob o comando do técnico Mozart Santos, a equipe ocupa a sétima colocação da Série B, somando 55 pontos, embalada por uma sequência de cinco jogos sem derrotas. Restando duas rodadas para o término da primeira fase, o Verdão entra em campo neste domingo (8) para enfrentar a Ponte Preta, no Estádio Hailé Pinheiro, antes de encerrar sua participação contra o Sport, na Ilha do Retiro.