Os três grandes clubes paulistas chegam à parte decisiva da temporada em um cenário semelhante. Corinthians, Santos e São Paulo foram eliminados de competições continentais nesta semana e agora concentram suas atenções no Campeonato Brasileiro, enquanto enfrentam dificuldades financeiras, questionamentos aos técnicos e um período de mudanças políticas.
Sem possibilidade de conquistar novos títulos em 2026, as equipes precisam administrar os últimos compromissos do calendário e, ao mesmo tempo, lidar com eleições presidenciais que movimentarão os bastidores nos próximos meses.
O Corinthians ainda terá 11 partidas pela frente, enquanto Santos e São Paulo disputarão mais 12 jogos até o encerramento da temporada.
Dívidas e dificuldades financeiras
A situação econômica é um dos principais pontos em comum entre os três clubes. Corinthians, Santos e São Paulo enfrentam problemas financeiros acumulados ao longo dos últimos anos, além de episódios recentes envolvendo atrasos em salários e direitos de imagem.
O Corinthians apresenta o quadro mais elevado de endividamento entre os três. O clube registrou déficit de R$ 246 milhões somente no primeiro semestre de 2026 e possui uma dívida estimada em aproximadamente R$ 2,8 bilhões. A equipe também continua sob dois transfer bans.
No Santos, o déficit alcançou R$ 119,6 milhões nos primeiros seis meses do ano, enquanto o endividamento total chegou à marca de R$ 1,2 bilhão.
Já o São Paulo ainda não apresentou o balancete referente a 2026. Ao final de 2025, porém, a dívida do clube estava estimada em R$ 858 milhões.
Trabalho dos técnicos é questionado
O desempenho das equipes também aumentou a pressão sobre os treinadores.
No Corinthians, Fernando Diniz assumiu o comando em abril e acumula 13 vitórias, nove empates e 10 derrotas. O aproveitamento é de 50%. Durante sua passagem, o time foi eliminado da Copa do Brasil pelo Internacional e da Libertadores pelo Estudiantes. No Brasileirão, o momento é especialmente complicado: são cinco derrotas consecutivas e a equipe ocupa a 14ª posição.
Cuca está no Santos desde março. Em 37 partidas, o treinador soma 15 vitórias, 13 empates e nove derrotas, com 52% de aproveitamento. O Peixe caiu para o Palmeiras nas quartas de final da Copa do Brasil e foi eliminado pelo Atlético-MG na mesma fase da Copa Sul-Americana. No campeonato nacional, entretanto, o time atravessa uma sequência de cinco partidas sem perder e aparece em 10º lugar.
No São Paulo, Dorival Júnior retornou ao clube em maio. Desde então, foram quatro vitórias, seis empates e seis derrotas, resultando em 37,5% de aproveitamento. O Tricolor foi eliminado da Sul-Americana pelo Boca Juniors nas quartas de final e ocupa atualmente a 12ª colocação do Brasileirão.
Eleições movimentam os bastidores
Além das questões esportivas e financeiras, os três clubes terão processos eleitorais importantes pela frente.
No Corinthians, a votação está marcada para 28 de novembro. Os sócios escolherão o próximo presidente e 200 conselheiros. Ainda existe indefinição sobre uma possível candidatura de Osmar Stabile à reeleição. A expectativa é pela presença de pelo menos três nomes na disputa, embora nenhuma candidatura tenha sido oficialmente lançada até o momento.
No Santos, ainda não existe uma data definida para a eleição. Marcelo Teixeira, atual presidente, também não confirmou se pretende buscar um novo mandato. Entre os nomes da oposição, Maurício Maruca já anunciou sua candidatura, enquanto Ivan Luduvice afirma que também pretende concorrer.
No São Paulo, o processo é diferente. A escolha do próximo presidente será feita pelos conselheiros, e não diretamente pelos sócios. A eleição está prevista para a primeira quinzena de dezembro. Harry Massis afirma que assumiu inicialmente de maneira transitória, mas não descarta disputar um mandato completo. A oposição trabalha para definir um candidato de consenso.
Últimos compromissos da temporada
Com apenas o Campeonato Brasileiro pela frente, os três clubes terão uma sequência de jogos importante até dezembro.
O Corinthians enfrentará, pela ordem, Fluminense, Internacional, Palmeiras, Vitória, Vasco, Mirassol, São Paulo, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio e Remo.
O São Paulo terá pela frente Internacional, Santos, Cruzeiro, Vitória, Vasco, Mirassol, Bahia, Corinthians, Fluminense, Botafogo, Remo e Athletico-PR.
Já o Santos encara Remo, São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, Fluminense, Bahia, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Coritiba, Grêmio, Vitória e Botafogo.
A reta final de 2026, portanto, será decisiva não apenas para definir a posição de cada equipe no Brasileirão, mas também para preparar o cenário esportivo, financeiro e político que os novos dirigentes encontrarão na próxima temporada.



