A Polícia Civil de Goiás (PCGO) investiga sob sigilo o espancamento de um homem de 27 anos em Rio Verde após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições neste domingo (25). O caso foi comunicado ao Grupo de Investigação de Homicídios da 8ª Delegacia Regional de Polícia. A corporação informou que a vítima está hospitalizada.
Vídeos gravados no local mostram um grupo agredindo o homem com socos e chutes durante o período em que a vítima permanece caída. Pessoas que tentaram interromper as agressões também foram atingidas. A vítima foi socorrida e levada ao Hospital Municipal de Rio Verde.
Informações preliminares da corporação indicam que o tumulto começou após uma suposta tentativa de furto. Publicações nas redes sociais associam a briga a uma discussão entre apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro. A Polícia Militar não foi acionada durante o tumulto, de acordo com as primeiras informações.
O segundo turno em Goiás teve apenas a disputa presidencial, com governo estadual definido primeiro turno com a eleição de Daniel Vilela pelo MDB. Neste domingo (25), a Polícia Militar informou ao TRE-GO 38 ocorrências gerais, e 21 delas viraram termos circunstanciados. Os registros incluem tentativas de filmar o voto, propaganda irregular e abandono de função por mesários.
Em balanço conjunto, as polícias Militar e Civil contabilizaram 52 ocorrências eleitorais no estado, sem prisões em flagrante e com mais de 30 casos de violação do sigilo do voto. Os números divulgados tratam do período de votação. Até esta apuração, a Secretaria de Segurança Pública não publicou balanço de ocorrências com motivação política após o resultado.
No país, o Ministério da Justiça e Segurança Pública mobilizou 312.718 profissionais de segurança para o segundo turno. A Polícia Federal registrou 86 casos de possíveis crimes eleitorais em 21 unidades da Federação até as 8h de 26 de outubro. A corporação instaurou 13 inquéritos, lavrou 64 termos circunstanciados e conduziu 74 pessoas. Ao longo de 2026, a PF abriu 1.629 inquéritos por crimes eleitorais. Lesões corporais e outros crimes comuns são, em regra, apurados pelas polícias civis estaduais.
A pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, registrou 134 casos entre 16 de agosto e 4 de outubro, um a cada nove horas. O levantamento contabilizou 19 agressões físicas, 11 atentados e dois assassinatos.
As duas organizações divulgam em novembro o balanço de 2026 com os casos do segundo turno. Outro estudo das mesmas organizações apontou 354 casos entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, um a cada 44 horas, com 63% deles na política municipal.
Goiás já reforçou a segurança por causa de violência política em eleições anteriores. Em setembro de 2022, a SSP-GO e o TRE-GO criaram um esquema integrado de segurança após casos recentes de violência política no estado. No segundo turno de 30 de outubro de 2022, a Polícia Militar empregou 4.760 policiais, a Polícia Civil escalou 427 servidores e o Corpo de Bombeiros destacou 448 militares nos 246 municípios.
Em 27 de outubro de 2024, a SSP-GO ativou um esquema especial para o segundo turno em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, com a Polícia Civil mobilizada para possíveis investigações. O TRE-GO divulgou que as autoridades de segurança avaliaram a votação como tranquila.
Em nota, a Polícia Civil de Goiás informou que apura as ocorrências comunicadas às autoridades policiais de acordo com as circunstâncias de cada caso. A corporação disse que analisa os elementos informativos disponíveis, identifica os envolvidos e adota as medidas legais cabíveis. A instituição orientou que a população denuncie crimes na delegacia de Polícia Civil mais próxima ou pelo telefone 197, canal mantido pela corporação em Goiás. (Especial para O HOJE)
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