O democrata Abdul El-Sayed venceu o republicano Mike Rogers nas eleições de meio de mandato pelo estado de Michigan e entrou para a história como o primeiro muçulmano eleito para ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos. Ele assumirá o mandato em janeiro, quando o novo Congresso tomar posse.


De acordo com as projeções da Associated Press, El-Sayed conquistou 52,4% dos votos, enquanto seu adversário obteve 45,6%. Ao comemorar o resultado diante de apoiadores, o senador eleito destacou a força de sua campanha e agradeceu à população pela confiança. “Vocês apostaram no candidato mais improvável. A vitória é toda de vocês”, declarou.


Aos 42 anos, El-Sayed é filho de imigrantes egípcios e possui formação em medicina pela Universidade de Michigan. Antes de ingressar na política eleitoral, atuou como diretor de saúde pública do condado de Wayne e da cidade de Detroit.


Sua campanha foi construída em torno de três principais propostas: combater a influência do dinheiro nas decisões políticas, melhorar as condições financeiras da população e ampliar o acesso à saúde pública. Entre suas principais bandeiras está o Medicare para Todos, projeto que prevê a expansão de um sistema público de assistência médica para toda a população.


Na política externa, El-Sayed defendeu a suspensão da ajuda militar norte-americana a Israel e classificou como genocídio as ações israelenses na Faixa de Gaza, posicionamento que o diferencia de grande parte dos representantes políticos dos Estados Unidos.


Campanha marcada por ataques e islamofobia

Durante a disputa eleitoral, o crescimento de El-Sayed nas pesquisas foi acompanhado por manifestações de preconceito religioso. O presidente Donald Trump chegou a ironizar seu nome em declarações públicas, enquanto o senador republicano Ted Cruz o classificou como jihadista e levantou suspeitas sobre suas intenções políticas.

O adversário Mike Rogers e seus aliados também tentaram associá-lo à Irmandade Muçulmana, organização da qual El-Sayed afirmou nunca ter participado e com a qual declarou não possuir vínculos.


No último comício de campanha, o democrata respondeu às provocações e demonstrou confiança na vitória. Ele afirmou que não estava preocupado com a maneira como Trump pronunciava seu nome, pois esperava que, após a eleição, o presidente passasse a chamá-lo de senador.


Representatividade muçulmana avança na política americana

Embora El-Sayed seja o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano, a presença de representantes dessa religião no Congresso já vinha crescendo. Em 2007, Keith Ellison, de Minnesota, tornou-se o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira na Câmara dos Representantes.


Posteriormente, outros nomes também chegaram ao Legislativo, entre eles André Carson, Rashida Tlaib, Ilhan Omar, Lateefah Simon e Aisha Wahab, ampliando a diversidade de representação na política dos Estados Unidos.


Disputa também envolveu grupos favoráveis a Israel

A eleição foi marcada ainda pela atuação de organizações ligadas à defesa dos interesses de Israel. Durante as primárias democratas, grupos pró-Israel, incluindo entidades associadas ao Aipac, investiram mais de US$ 30 milhões em apoio à candidatura de Haley Stevens.

Apesar dos recursos empregados, Stevens venceu apenas a disputa em Detroit, mas perdeu a indicação estadual para El-Sayed. Nos dias anteriores à eleição, ela declarou apoio ao republicano Mike Rogers, provocando insatisfação entre integrantes do Partido Democrata.

Além da vitória em Michigan, os democratas também conquistaram espaço em outros estados e, conforme as projeções eleitorais, recuperaram o controle da Câmara dos Representantes, resultado que poderá influenciar os dois últimos anos do governo Donald Trump.