Modernidade Líquida. A célebre obra de Zygmunt Bauman, lançada em 2000, trata da relativização dos valores sociais, profissionais e amorosos das gerações de nossos avós para cá. O líquido se amolda à forma e assim naturalizaríamos o dançar-se conforme a música. A crítica aponta para a verdade, que teria deixado de ser única, sendo perfeitamente aceita e difundida tal qual decidimos ver, decidimos crer e decidimos fazer o outro acreditar.
Já se passaram quase três décadas desde a primeira publicação do livro do sociólogo polonês, valorizado pelas bancas de concursos, de vestibulares e do Enem, mas, apesar do decurso do tempo, as relações não teriam caminhado para retomar o estado físico anterior, época que o próprio Bauman tratou de referenciar como Modernidade Sólida, quando critérios éticos e morais guiariam mais e, quiçá, melhor os comportamentos e as relações.Zygmunt Bauman morreu em 2017, aos 91 anos. Como os líquidos, sua obra não se prende à solidez do período em que foi concebida. Ela se faz viva e aplicável às ondas do egocentrismo, do fanatismo ideológico e do monopólio da verdade presente nas sociedades, nas comunidades e nas famílias, transtornadas e transformadas pela radicalização política mundo a fora.Se ainda pudesse escrever, pode ser que Bauman se dedicasse a atualizar Modernidade Líquida, pois hoje, mais que nos adaptarmos às circunstâncias, nos perdemos em nossas próprias convicções, e nos perdemos uns dos outros. A capacidade de pensar, que nos difere dos animais irracionais, e pensar diferente um do outro, hoje embasa e justifica comportamentos intolerantes e intolerados. Ah, Bauman... Os tempos pedem Modernidade Gasosa.
Marco Antonio Ferreirajornalista e advogado
Modernidade Gasosa
Por Redação Folha Metropolitana29 de outubro de 2026

(Foto: Divulgação)
Modernidade Gasosa


