Auxiliares do presidente Lula no Palácio do Planalto apostam que ele não entregará a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), ministério responsável pela articulação política do governo, a um indicado do Centrão no quarto mandato.

A pasta é cobiçada pelo Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). Um dos nomes que a legenda defende para o cargo é o do deputado federal reeleito e ex-ministro Silvio Costa Filho (Republicanos-PE).

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Ex-ministro e deputado Silvio Costa Filho

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB)

Ex-ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio é visto como um nome com bom trânsito no Congresso e que poderia agradar deputados e senadores. A possibilidade, porém, enfrenta ressalvas entre integrantes do Palácio do Planalto.

O principal argumento dos palacianos é o de que entregar a SRI ao Republicanos significaria dar ao Centrão e a Motta maior poder sobre uma das áreas mais sensíveis da relação entre Executivo e Legislativo: as emendas parlamentares.

A SRI participa diretamente da articulação com deputados e senadores e da organização da liberação dos recursos destinados por meio de emendas, o que dá ao ministro responsável pela pasta peso significativo na relação do governo com o Congresso.

Durante o terceiro mandato de Lula, a pasta que comanda a articulação política permaneceu sempre sob o comando do PT. Chefiaram o ministério Alexandre Padilha (PT-SP), atual ministro da Saúde, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Guimarães (PT-CE), atual titular.

Na leitura de auxiliares de Lula ouvidos pela coluna, a tendência é de que a Secretaria de Relações Institucionais, considerada parte da chamada “cozinha” do Palácio do Planalto, continue nas mãos do PT no próximo governo.