A expressiva votação obtida por Eduarda Campopiano (PL) nas eleições de 2026 colocou a parlamentar no centro do cenário político paulista. O resultado, porém, passou a ser acompanhado por questionamentos sobre sua preparação e sua atuação legislativa. Uma análise publicada em mtéria identificou semelhanças entre projetos apresentados por ela e propostas que já haviam sido protocoladas por outros políticos.
O levantamento analisou 20 projetos apresentados por Campopiano durante sua passagem pela Câmara Municipal de Praia Grande e encontrou correspondências textuais em pelo menos 14 deles. Em alguns casos, segundo a reportagem, foram reproduzidos trechos extensos de artigos e justificativas de propostas anteriores.
O que chama ainda mais atenção são erros que indicam problemas na adaptação dos textos. Uma proposta destinada aos moradores de Praia Grande manteve referência a “cidadãos paulistanos”. Em outro projeto, recursos previstos a partir de multas seriam direcionados a organizações de um município do Espírito Santo, a centenas de quilômetros da cidade onde a parlamentar exercia o mandato.
Também foram identificadas referências a estruturas administrativas que não existem em Praia Grande. Em um dos projetos, por exemplo, aparece a Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (COSAP), órgão vinculado à cidade de São Paulo.
A reprodução de ideias ou projetos entre diferentes casas legislativas, por si só, não é necessariamente irregular. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que boas iniciativas podem ser aproveitadas e adaptadas para outras realidades. O problema está na ausência de adaptação adequada e, principalmente, na falta de reconhecimento da origem do trabalho.
É justamente nesse ponto que surge uma discussão maior sobre preparo para o exercício do mandato. A chegada ao Legislativo de uma parlamentar tão jovem e com uma votação tão expressiva cria uma expectativa de responsabilidade proporcional ao tamanho da confiança depositada pelos eleitores. Quando um projeto destinado a uma cidade mantém referências a outro município ou reproduz trechos sem a devida contextualização, a situação pode ser interpretada como sinal de falta de cuidado na elaboração das propostas.
Mais do que uma disputa ideológica, os episódios levantam uma questão sobre qualificação e responsabilidade no exercício de um cargo público. Uma votação histórica não substitui conhecimento técnico, capacidade de análise e atenção aos detalhes que envolvem a elaboração de leis.
O caso também reacende o debate sobre os critérios utilizados pelos eleitores na escolha de seus representantes. A ascensão meteórica de Campopiano, impulsionada por sua atuação nas redes sociais e por uma forte identidade ideológica, demonstra a força que a comunicação política possui atualmente. A própria parlamentar já afirmou que pretende levar essa atuação ideológica para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
Nesse contexto, os erros apontados pela reportagem servem como alerta: uma votação expressiva pode abrir as portas do Legislativo, mas não garante, por si só, preparo para exercer um mandato de tamanha responsabilidade.
O episódio representa, portanto, mais do que uma discussão sobre textos semelhantes. Ele coloca em debate a qualidade da representação política e até que ponto popularidade, engajamento digital e identificação ideológica devem pesar na escolha de quem terá a responsabilidade de produzir leis que afetam milhões de pessoas.


