Ao longo de suas trajetórias políticas, Jair Bolsonaro e seus filhos fizeram declarações públicas que demonstram admiração pelo regime militar instaurado no Brasil em 1964, responsável pela morte e tortura de centenas de pessoas. Entre as manifestações estão a negação de que tenha ocorrido um golpe de Estado, a defesa de medidas autoritárias e elogios a militares associados à repressão política. Em novembro de 2019, por exemplo, Jair Bolsonaro afirmou que seria um equívoco cogitar um novo Ato Institucional nº 5 (AI-5), depois de Eduardo Bolsonaro mencionar essa possibilidade caso a esquerda intensificasse sua atuação política.

 

Apesar de Bolsonaro frequentemente contestar a classificação dos acontecimentos de 1964 como golpe militar, ele e seus filhos acumularam declarações favoráveis ao período ditatorial. Quando ainda exercia o mandato de deputado federal, Jair Bolsonaro costumava celebrar o aniversário do golpe, com manifestações de apoio aos militares. Em discursos na Câmara dos Deputados, também elogiou o AI-5, instrumento de repressão instituído em dezembro de 1968, durante a ditadura.

 

1. Negação do golpe de 1964: julho de 2018

 

Durante uma entrevista ao programa *Roda Viva*, Jair Bolsonaro contestou a interpretação histórica de que a deposição de João Goulart, em março de 1964, tenha constituído um golpe militar. Eduardo Bolsonaro também manifestou posicionamento semelhante em publicações nas redes sociais.

 

2. Elogios ao AI-5: dezembro de 2008

 

Em pronunciamento na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro declarou apoio ao Ato Institucional nº 5. Ele justificou sua posição alegando que a medida teria servido para conter grupos armados de esquerda, embora o ato tenha ampliado drasticamente os poderes do regime e restringido direitos políticos e civis.

 

3. Referência positiva ao AI-5: março de 2010

 

Em outra manifestação parlamentar, Bolsonaro voltou a enaltecer o período militar. Na ocasião, atribuiu ao regime avanços econômicos e afirmou que o AI-5 teria contribuído para combater a corrupção e o terrorismo, desconsiderando seu papel na repressão política e na supressão de garantias democráticas.

 

4. Defesa da ideia de apoio popular ao golpe: fevereiro de 2013

 

Ao receber a blogueira cubana Yoani Sánchez na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro afirmou que a intervenção militar de 1964 teria resultado de uma imposição popular. Também criticou quem classificava o período como ditadura, alegando que essa interpretação desconsideraria a história do país.

 

5. Homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra: abril de 2016

 

Durante a votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, Bolsonaro dedicou seu voto à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe de um órgão de repressão política durante a ditadura. Ustra foi reconhecido judicialmente como torturador. A homenagem provocou forte repercussão por associar uma decisão política a um militar ligado à prática de tortura.

 

6. Minimização dos crimes cometidos pelo regime: junho de 2016

 

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que o principal erro da ditadura teria sido torturar, em vez de matar. A declaração gerou críticas por relativizar a gravidade das violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante o período autoritário.

 

7. Defesa de medidas autoritárias: julho de 2018

 

Em uma palestra direcionada a estudantes de um curso preparatório para a Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro comentou a possibilidade de fechamento do Supremo Tribunal Federal. Sua fala descreveu uma intervenção militar como meio de afastar os ministros, provocando críticas por sugerir uma medida incompatível com a autonomia dos Poderes e com o funcionamento democrático das instituições.

 

8. Celebração do aniversário do golpe nos quartéis: março de 2019

 

Já na Presidência da República, Jair Bolsonaro orientou os quartéis a rememorarem o dia 31 de março de 1964. A decisão provocou reações contrárias, inclusive de integrantes das Forças Armadas, e o presidente posteriormente afirmou que sua intenção era apenas recordar a data.

 

9. Declaração depreciativa sobre documentos da ditadura: julho de 2019

 

Ao comentar o desaparecimento de Fernando Santa Cruz durante o regime militar, Bolsonaro atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, filho do desaparecido. Na ocasião, também desqualificou documentos oficiais sobre mortos e desaparecidos políticos, contrariando registros históricos que apontam a responsabilidade do Estado brasileiro por graves violações de direitos humanos.

 

10. Exaltação de militares ligados à repressão: agosto de 2019

 

Em encontro no Palácio do Planalto com Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, Bolsonaro elogiou o militar e o classificou como herói nacional. A declaração voltou a gerar críticas devido à ligação de Ustra com a repressão e a tortura de opositores políticos.

 

As manifestações reunidas nesses episódios evidenciam a recorrência de declarações que relativizam a natureza autoritária do regime militar brasileiro. Ao negar o golpe, minimizar violações de direitos humanos e homenagear figuras associadas à repressão, Bolsonaro e seus filhos contribuíram para manter em debate interpretações controversas sobre um período marcado pela restrição das liberdades civis e políticas.