O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, teria sinalizado a empresários que pretende rever o fim da escala de trabalho 6x1 caso seja eleito. A declaração, segundo informações divulgadas sobre um encontro com representantes de diferentes setores econômicos, ocorreu no mesmo dia em que o parlamentar afirmou que votaria favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê mudanças na jornada de trabalho e busca garantir dois dias de descanso semanal aos trabalhadores.


Na manhã de terça-feira (13), Flávio declarou que apoiava uma alternativa baseada na liberdade de negociação entre patrões e empregados. Segundo ele, a redução da jornada poderia aumentar os custos das empresas e contribuir para o crescimento da informalidade. O senador também defendeu a possibilidade de os próprios trabalhadores organizarem suas escalas de trabalho.


Entretanto, durante uma reunião realizada na noite do mesmo dia, em São Paulo, com representantes da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio, o parlamentar teria indicado que pretende reavaliar a proposta caso chegue à Presidência. A sinalização levanta questionamentos sobre como seu eventual governo trataria a redução da jornada e a ampliação do período de descanso dos trabalhadores.


A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) já manifestou oposição ao fim da escala 6x1, argumentando que a mudança poderia gerar impactos financeiros para as empresas. A entidade defende alternativas baseadas na negociação entre empregadores e funcionários, posição semelhante à apresentada pelo senador.


O debate também envolve integrantes do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou na quarta-feira (14) que o partido pretende defender uma proposta alternativa baseada no pagamento por hora trabalhada, mesmo que a PEC que prevê o fim da escala 6x1 avance.


No Senado, aliados de Flávio Bolsonaro também discutem estratégias que poderiam dificultar a aprovação da proposta. Entre as possibilidades está a apresentação de emendas que, caso aprovadas, poderiam fazer o texto retornar à Câmara dos Deputados para uma nova análise.


Apesar das articulações, parlamentares avaliam que votar contra a proposta ou tentar impedir sua aprovação poderia trazer consequências políticas durante a campanha eleitoral.


A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou espaço no debate nacional por envolver direitos trabalhistas, qualidade de vida, geração de empregos e custos para as empresas. Enquanto defensores da mudança destacam a importância de ampliar o tempo de descanso e melhorar as condições de vida dos trabalhadores, setores empresariais apontam possíveis dificuldades para reorganizar jornadas e manter os custos operacionais.


O avanço da proposta dependerá da tramitação no Congresso Nacional e das negociações entre os parlamentares. O posicionamento dos partidos e dos candidatos sobre o tema deve continuar no centro das discussões políticas e econômicas do país.