A escolha de Luiz do Carmo (PSD) para vice na chapa de Daniel Vilela (MDB) pode representar um movimento importante na reta final da disputa pelo Governo de Goiás. Para especialistas ouvidos pela imprensa goiana, o ex-senador reúne características que podem ampliar a capacidade de articulação da chapa em diferentes segmentos do eleitorado.

Um dos principais pontos é sua ligação com o segmento evangélico. Irmão do bispo Oídes do Carmo, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira em Goiás, Luiz tem trânsito histórico junto a lideranças religiosas. Desde que foi escolhido para a vice, sua agenda de campanha passou a incluir encontros com pastores, prefeitos, vereadores e lideranças políticas e religiosas no interior.

A escolha também ocorre em um cenário no qual o agronegócio ocupa papel relevante na disputa. Antes da definição, José Mário Schreiner, ligado ao setor produtivo e à Faeg, era um dos principais nomes cotados para a vice. Após a escolha de Luiz do Carmo, Schreiner assumiu a coordenação-geral da campanha de Daniel Vilela, mantendo sua participação na estrutura eleitoral da base.

Além da conexão com o segmento evangélico, aliados destacam o perfil empresarial de Luiz do Carmo e sua capacidade de relacionamento político. O prefeito de Bela Vista de Goiás, Eurípedes do Carmo, afirmou que a atuação do irmão não se limita ao ambiente religioso e também envolve relações no setor empresarial e dentro do grupo político liderado por Daniel Vilela e Ronaldo Caiado.

Outro elemento apontado nas análises é a capacidade de articulação regional. Na campanha, Luiz do Carmo tem concentrado parte de sua agenda em municípios do interior, buscando ampliar a presença da chapa junto a prefeitos, vereadores e lideranças locais.

A discussão ganha importância diante do objetivo declarado pela própria chapa de buscar uma vitória já no primeiro turno. Para isso, a composição precisa reunir diferentes segmentos e manter mobilizada a base política construída pelo grupo governista.

Nesse contexto, Luiz do Carmo passa a exercer um papel que vai além da função formal de candidato a vice: sua atuação envolve articulação política, diálogo com lideranças religiosas, presença no interior e relacionamento com setores empresariais.

O peso efetivo dessa estratégia, entretanto, será conhecido somente com o resultado das urnas.