O deputado federal Mario Frias (PL-SP) manifestou-se publicamente nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026) após ser alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). O parlamentar classificou a ação policial como uma "cortina de fumaça" e negou qualquer irregularidade no direcionamento de emendas parlamentares.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da federação. A investigação apura o suposto desvio de recursos públicos federais que teriam como destino final a produção do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mario Frias atua como roteirista e produtor executivo do longa-metragem.
Defesa do parlamentar e trâmite de emendas
Em pronunciamento, Frias afirmou que a investigação envolve uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por ele para viabilizar um projeto esportivo e outro de letramento digital voltado a crianças e adolescentes. O deputado argumentou que o processo de envio de emendas não passa por suas mãos, sendo transferido diretamente do Tesouro Nacional para o órgão executor responsável.
"Como é que pode se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada", declarou o deputado, que confirmou que irá colaborar com a Polícia Federal e entregar os documentos solicitados. Frias informou que manterá sua agenda de trabalho na Câmara dos Deputados e compromissos políticos de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Histórico das investigações e alvos da PF
Além do deputado, a Operação Make Up mirou a produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e pela Academia Nacional de Cultura. O inquérito contra Frias teve início em março de 2026, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, que cobrou explicações sobre repasses ao ICB.
Em maio de 2026, mensagens obtidas na Operação Compliance Zero indicaram agradecimentos de Frias ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, por um aporte financeiro na produção cinematográfica, transação que havia sido negada anteriormente pelo parlamentar. Em agosto, a defesa de Frias apresentou uma questão de ordem ao STF solicitando a redistribuição do caso para retirar o processo da relatoria de Dino.
A defesa técnica do deputado e os representantes das entidades citadas devem apresentar manifestações formais ao Supremo Tribunal Federal nos próximos dias, conforme o prazo legal estabelecido para a instrução do processo.


