Brasília – O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já recebeu mais de 7 mil denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Diante do crescimento expressivo dos relatos, o ministro Luiz Marinho fez um apelo público nesta quarta-feira (4) para que empresários que tenham ameaçado ou demitido funcionários por razões políticas recuem e se retratem.

“Aproveito para me dirigir a todos que ainda pensam em fazer esse tipo de bobagem, recuem”, afirmou o ministro durante entrevista coletiva convocada para detalhar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Apelo por retratação pública

Marinho reiterou que o objetivo central da pasta não é a punição preventiva de empregadores, mas a garantia intransigente dos direitos trabalhistas. Para os empresários que eventualmente cogitaram dispensar trabalhadores devido ao resultado eleitoral, o titular do MTE sugeriu uma retratação nas redes sociais como alternativa à crise.

“Para quem eventualmente pensou em demitir alguém por causa do resultado eleitoral, faça o seu recuo tático e se desculpe nas redes. Está tudo certo. Não precisaremos punir ninguém por isso. Mas a punição será, se demitiu por questões políticas, severamente aplicada”, declarou.

Salto nas notificações

O volume de registros de assédio eleitoral quase dobrou na semana posterior ao segundo turno das eleições presidenciais. No período, circularam em redes sociais listas de boicote a estabelecimentos comerciais e postagens que incentivavam a demissão de subordinados em decorrência de preferências políticas.

Até o dia 31 de outubro, a pasta contabilizava 4.305 queixas formalizadas. Com a atualização divulgada nesta quarta-feira pelo ministro, o patamar total superou a barreira de 7 mil notificações.

Apesar do montante, Marinho ponderou que nem todas as notificações correspondem necessariamente a infrações confirmadas. O órgão fiscalizador realiza a triagem para separar ocorrências reais de registros infundados.

“Evidentemente, tem que separar o que é denúncia e o que é encher linguiça. É quase como chamar o bombeiro quando não se tem incêndio. Das 7 mil, não sei qual é a proporção de denúncias que são reais e concretas”, esclareceu o ministro.

As ocorrências seguem sob análise técnica da Auditoria Fiscal do Trabalho para apuração de responsabilidades e comprovação dos ilícitos.