O governo do presidente argentino Javier Milei, apresentado como uma referência pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta um cenário de redução no número de empresas registradas no país. Desde novembro de 2023, pouco antes de Milei assumir o poder, até julho de 2026, aproximadamente 32 mil empregadores deixaram de constar nos registros oficiais argentinos.
Segundo dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do governo argentino, o número de empregadores caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. Os números foram divulgados no sábado (10) e apontam uma diminuição de 32.290 registros no período.
A retração também aparece nos dados mensais. Somente em julho deste ano, o país contabilizou 948 empregadores a menos. No mesmo mês, foram registrados 3.485 postos de trabalho formais fechados, segundo informações citadas na reportagem original.
Política de cortes de Milei afeta gravemente a economia argentina
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei colocou em prática um programa econômico marcado pela redução dos gastos públicos e pela diminuição da participação do Estado em diferentes setores. Batizado de “Plano Motosserra”, o conjunto de medidas foi apresentado como uma estratégia para enfrentar problemas como a inflação, a burocracia e o desequilíbrio das contas públicas.
Entre as principais iniciativas estão a redução dos investimentos em obras públicas, o corte de subsídios para energia elétrica, gás e transporte, a desvalorização da moeda argentina e a diminuição dos repasses financeiros do governo federal às províncias.
Entretanto, os dados apresentados na reportagem apontam que, durante o período analisado, houve uma queda expressiva no número de empregadores registrados. O texto também destaca a permanência de índices elevados de pobreza e o crescimento da informalidade no mercado de trabalho argentino.
Esses indicadores alimentam o debate sobre os efeitos das medidas de austeridade e sobre os custos sociais de um programa econômico baseado em cortes de despesas e mudanças na atuação do poder público.
Flávio Bolsonaro quer adotar medidas inspiradas em Milei
Apesar dos números relacionados ao fechamento de empresas, Javier Milei continua sendo apontado como uma referência pela campanha de Flávio Bolsonaro, que defende um programa de redução de gastos públicos caso chegue à Presidência do Brasil.
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do senador, afirmou durante um evento do Esfera Brasil, em setembro, que as propostas brasileiras devem buscar inspiração nas mudanças implementadas pelo governo argentino. Na ocasião, ela classificou Milei como um exemplo positivo.
A campanha de Flávio também passou a utilizar o termo “tesouraço” para apresentar sua proposta de cortes nas despesas públicas. Segundo as informações divulgadas, o plano prevê uma redução de aproximadamente R$ 200 bilhões nos gastos.
Entre as áreas que podem ser afetadas estão políticas de financiamento da saúde e da educação, mecanismos de valorização do salário mínimo e reajustes reais de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Debate sobre os impactos dos cortes
A experiência argentina coloca em discussão os possíveis efeitos de políticas econômicas que priorizam a redução das despesas estatais. Embora seus defensores apresentem os cortes como instrumentos para reorganizar as contas públicas e melhorar o funcionamento da economia, os impactos sobre empresas, empregos e serviços sociais também fazem parte desse debate.
No caso da Argentina, os dados citados mostram que o número de empregadores registrados diminuiu em mais de 32 mil entre novembro de 2023 e julho de 2026. Esse resultado revela uma mudança significativa no universo de empregadores durante o período.
A discussão ganha relevância no Brasil diante da intenção da campanha de Flávio Bolsonaro de utilizar medidas semelhantes como referência. O desafio será avaliar não apenas a economia que os cortes poderiam proporcionar aos cofres públicos, mas também suas possíveis consequências para o emprego, a renda da população, manutenção de políticas sociais e bem- estar da população.


