O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, nesta segunda-feira (12), que o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), o influenciador Pablo Marçal (PRTB) e os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Rony Gabriel (Podemos-RS) retirem das redes sociais publicações que associam, de maneira enganosa, o consumo de drogas a uma manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Buzze, que estabeleceu o prazo de 24 horas para a exclusão dos conteúdos. O material compartilhado mostra uma mulher consumindo cocaína em uma via pública e foi divulgado de forma a sugerir que a cena teria ocorrido durante o ato político realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11).
Entretanto, conforme as informações apresentadas no processo, o vídeo já havia sido publicado originalmente no Chile, no sábado (10), um dia antes da manifestação brasileira. Dessa forma, o conteúdo foi utilizado fora de seu contexto original para criar uma associação entre o consumo de drogas e o evento político.
Na avaliação apresentada na decisão, a edição e a divulgação das imagens, acompanhadas de afirmações generalizadas sobre o uso de entorpecentes, contribuíram para construir uma narrativa eleitoral enganosa. O ministro classificou a situação como uma possível manipulação grave por meio da descontextualização das imagens.
A determinação prevê que, caso as publicações não sejam removidas dentro do prazo estabelecido, sejam enviados ofícios à Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook, e à plataforma X, para que as medidas necessárias sejam adotadas e o material seja retirado do ar ou tenha sua visualização bloqueada.
Segundo o ministro, a gravidade do caso aumenta quando as imagens são utilizadas junto a declarações generalizadas sobre o consumo de drogas e mensagens com finalidade eleitoral explícita.
Apesar da determinação para apagar as publicações, o magistrado rejeitou outros dois pedidos apresentados no processo: a retirada do perfil denominado “Sociedade em Fatos” das plataformas e a proibição genérica de futuras postagens consideradas semelhantes ao conteúdo questionado.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar a decisão, mas, até a publicação da reportagem original, não havia apresentado resposta.
O episódio ocorre em meio à disputa política das eleições de 2026, período em que publicações nas redes sociais e o uso de imagens fora de contexto podem influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos e manifestações políticas, além de configurarem crime .


