“Ouro de Tolo”, cápsula letal

Amnésia de um crime estatal

Engravatados mortíferos

A estupidez de um equídeo

A indiferença e o abandono

Responsabilidade “sem” dono

Santa Casa! Assombro

Políticas públicas, escombro

Catadores de materiais recicláveis

Indigentes, esqueléticos e miseráveis

Misericórdia, para os algozes

O silêncio da injustiça, calando vozes

A Justiça “cega” condenou as vítimas

Imortalizaram canalhas e suas políticas

A honradez absolveu a infâmia e a indolência

Condecorou a covardia e a incompetência

O brilho cancerígeno azul fluorescente

Brinquedo de criança dizimou inocente

O coração do Brasil, Goiânia 1987

Cenário macabro, Césio 137

Vidas maculadas pela indiferença

De um governo imoral, ingerência

Infanticídio, Leide das Neves

Dores, feridas cálidas... Vida breve

A tragédia anunciada, caixão de chumbo

Os “sem nomes”, o descanso

Em “berço esplêndido”, casas de papelão

No leito mortal, covas rasas, blindadas

Salve, salve a “Cidade das Flores”

Funerais floridos e diversos odores

Assim entramos para a História Universal

Sob a batuta da estupidez e a justiça estatal!

 

Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, Historiador e Escritor. Doutorando pela UFG (Aluno Especial) em Performances Culturais; Mestre em História – Cultura, Religião e Sociedade; Especialista em História e Cultura Afro-brasileira e Africana; Pedagogo com Habilitação em História da Educação Brasileira e Historiador. professormarcosmanoelhist@gmail.com